Como abordar problemas complexos
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A idéia como início do caminho de abordagem de realidades complexas
Os caminhos naturais ao homem para abordar realidades complexas ou desconhecidas são dois:
a) o intuitivo
b) o racional – intuitivo
A abordagem intuitiva
A abordagem intuitiva é o caminho pelo qual o indivíduo aborda a realidade a partir da percepção de analogias, funcionais ou essenciais, tiradas de suas experiências anteriores, sejam conscientes ou não.
Dois elementos são análogos (funcionais) quando têm a mesma função. As asas de um pássaro e as asas de um avião são análogas. Dois elementos são homólogos (análogos essenciais) quando têm a mesma essência. Uma baleia e um cão são homólogos quanto a sua condição de ser mamíferos.
A abordagem intuitiva permite a um indivíduo acessar ao mais essencial de uma realidade, mas não tem forma de transmitir aos outros esta vivência, porque a abordagem de conceitos é necessariamente “vivencial”.
A abordagem racional – intuitiva
A abordagem racional-intuitiva utiliza a intuição como elemento de apoio mas não se apóia só nela. Nesta abordagem se passa por diferentes etapas para aproximar um conceito:
1) A analogia funcional
2) A idéia
3) O conceito operativo
4) O conceito funcional
5) O conceito essencial
Etapa 1) A analogia funcional
O passo um implica experimentação. Não há forma de apreender uma realidade se o indivíduo não a pode reconhecer. Este “reconhecimento” implica ter uma vivência interior com a qual compará-la. Quando esta comparação resulta inteligível, podemos dizer que se fez uma analogia. Quando falamos de realidades funcionais externas, por exemplo uma árvore, precisa-se haver vivenciado o conceito de árvore com antecedência para reconhecê-la. O risco de cometer falácias é muito alto.
Etapa 2) A idéia
Tendo em mente a analogia, então é possível construir uma idéia do que é o conceito de algo. Paradoxalmente, é comum que à idéia da analogia se a denomine de conceito. É a denominação na linguagem comum.
Pode definir-se como “idéia” à aproximação intelectual que descreve o que pode ser a estrutura aparente de um conceito. Descreve o “para que” o “como” e o “que” de uma função da realidade .
A utilização de mapas conceituais permite fazer uma descrição que diminui o risco de que a idéia seja irreal e não só uma projeção do indivíduo que a desenvolve. Uma idéia é real no campo do conceitual quando diferentes pessoas têm idéias similares sobre uma realidade particular.
Com esta idéia já se pode operar. A operação de idéias é o caminho natural de operação de conceitos na vida cotidiana. Os mapas conceituais permitem transformar problemas complexos em idéias simples seguindo os arbítrios da análise conceitual. O risco de que uma “idéia” seja falaciosa é alto. Requer portanto o desenvolvimento de provas piloto para saber se a idéia se corresponde com a realidade.
Etapa 3) O conceito operativo
Se se estiver imerso em problemas complexos não basta com a idéia, precisa-se chegar aos conceitos operativos. Os conceitos operativos são a forma em que o pensamento científico aborda os conceitos.
O conceito operativo descreve os procedimentos de ação dentro dos limites que estabelece uma guia de ação aceita. Esta guia de ação pode ser explícita ou implícita e pode ser inferida pelos procedimentos que ocorrem na realidade. Quando o problema é muito complicado, podem utilizar-se redes neurais para determinar qual é a guia de ação implícita (o “pattern”).
Estes elementos são cientificamente demonstráveis e são a base do desenvolvimento tecnológico. È possível chegar aos conceitos operativos por dois caminhos:
a) Bottom up – por inferência de ações
b) Bottom up/Top down – por inferência e análise
O mais comum é o primeiro, no qual a maioria das tecnologias que correspondem a “ciências brandas” está apoiada. O segundo requer ter descobertos e modelados os conceitos funcionais dos quais o conceito operativo é parte.
Tendo o conceito operativo seguro, com as condições limites claramente definidas, pode-se operar com alta confiabilidade e com baixo risco de falácias.
Etapa 4) O conceito funcional
Os conceitos funcionais são os “drivers” das condutas dos seres vivos ou de vida virtual e os que descrevem a estrutura funcional dos sistemas complexos.
Para acessar aos conceitos funcionais a partir das analogias, a idéia e o conceito operativo se precisa desenvolver sua abordagem como problema complexo.
Quando se dispõe do conceito funcional, de seu conceito operativo e da idéia que lhe subjaz, e se conhecem também as analogias funcionais e essenciais podemos ter quase certeza de não estar cometendo falácias e que os resultados das ações se correspondam ao propósito das mesmas.
Etapa 5) O conceito essencial
O conceito essencial implica apreender uma realidade em sua funcionalidade mais essencial.
Para isto se necessita um processo de reflexão unicista e uma vivência prolongada em uma realidade. Requer estar em harmonia verdadeira com o meio em que se está operando. Para quem procura entrar no campo dos conceitos essenciais damos algumas “definições” tiradas do glossário unicista, para que possa definir a “idéia” de abordar conceitos essenciais.
Unicista
Enfoque operativo, científico e filosófico para abordar a realidade como um campo unificado a partir do conhecimento dos conceitos que o regulam.
Conceito
É a estrutura lógica ou pré-lógica que regula a evolução dos seres vivos ou de vida virtual. É, além disso, o “driver” da estrutura dos sistemas complexos.
Sistemas complexos
São sistemas que estruturam campos unificados abertos ao meio, cujo resultado resulta imprevisível para o homem comum.
Conceito essencial
É o conceito mais profundo que estrutura um campo unificado particular. É uma estrutura de informação que regula o comportamento mais essencial que determina a evolução em longo prazo do sistema complexo no qual influi.
Campo unificado
Uma parte da realidade sobre a que se quer influir. Funciona como um sistema aberto que permite pôr limites arbitrários à realidade para fazê-la operável.
